Eu bagunço meus cabelos. Olho para os lados. Tenho alucinações
de coisas que não existem mais em minhas mãos.
Pergunto por que ainda procuro um sinal. É um sinal mesmo
que procuro? Uma chama, um corte, uma vida ainda.
Procurar você nos momentos pode ser considerado um sinal? Se
um dia eu te encontrar, tenho tantas perguntas a fazer.
Tantas perguntas não respondidas dentro de mim para você
responder.
Não, por favor, não me leva a mal. Ando confundindo tanto a
realidade com meus sonhos que minha mente se distrai com coisas tolas.
Desculpa o mau jeito, a insanidade.
Em alguma dessas frações de segundo passadas na irrealidade
sangrei demais.
Sangrei ainda mais por não saber ainda usar o singular.
Perdoa se eu chorar?
Perdoa se eu, algum dia, deixei passar algum sorriso.
Hoje tocou a primeira música e eu, com toda a displicência que
existe em mim fingi que não era nada. Fingi com um sorriso descuidado que era só
uma música boa de ouvir.
Perdoa.
Perdoa por procurar outra dor para me distrair. É tão bom não
ter certeza do que incomoda mais.
O que passou, o que não aconteceu e o que ainda, eu sei, vai
acontecer.
É engraçada essa forma que a solidão me persegue. Ela flerta
comigo de uma maneira que me entedia.
Sabia? Sabia que nada me entendia mais do que o mundo em
volta de mim? Ele gira tão devagar que meus olhos se perdem numa rotatividade
inexistente.
Me prenderam na cabine de uma roda gigante infinita que pode
sempre trazer o melhor ou o pior dia da minha vida, na manhã seguinte. E minha
maior culpa, toda minha, é oscilar entre a ansiedade e a angustia.
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