Senhoras e senhores, respeitável publico! Sejam bem-vindos...

E hoje ainda gosto de olhar para o mundo sem entender o que meus olhos encontram.




domingo, 15 de abril de 2012

Saudade não é o que a gente sente quando a pessoa vai embora. Seria muito simples acenar um ‘tchau’ e contentar-se com as memórias, com o passado. Saudade não é ausência. É a presença, é tentar viver no presente. É a cama ainda desarrumada, o par de copos ao lado da garrafa de vinho, é a escova de dentes ao lado da sua. Saudades são todas as coisas que estão lá para nos dizer que não, a pessoa não foi embora. Muito pelo contrário: ela ficou, e de lá não sai. A ausência ocupa espaço, ocupa tempo, ocupa a cabeça, até demais. E faz com que a gente invente coisas, nos leva para tão próximo da total loucura quanto é permitido, para alguém em cujo prontuário se lê “sadio”. Ela faz a gente realmente acreditar que enlouquecemos. Ela nos deixa de cama, mesmo quando estamos fazendo todas as coisas do mundo. Todas e ao mesmo tempo. É o transtorno intermitente e perene de implorar por ‘um pouco mais’. Saudade não é olhar pro lado e dizer “se foi”. É olhar pro lado e perguntar “cadê”?


(Beeshop)

quinta-feira, 12 de abril de 2012

A vida quis assim (Oswaldo Montenegro)

Me fale das andanças ex-amor
Dos melhores momentos que passou
Me fale que eu vou te falar dos meus
Eu tenho todo tempo pra ouvir
Os melhores momentos que eu vivi
São todos que passei ao lado teu
Mas se você quiser não vou lembrar
Pra não te constranger, me ver chorar
A gente fala então do que virá
Eu tenho toda vida pela frente
E vou viver da forma mais urgente
Quem sabe um dia eu pare de te amar
E mesmo que isso possa acontecer
Eu vou sentir saudade de você
Que culpa pode ter o coração?
Que pena que a vida quis assim
Você viver feliz longe de mim
A dor rindo da minha solidão
Se alguém vier pedir o meu conselho
A gente não aprende no espelho
A gente vive e sofre pra aprender
E cada amor é tanto e diferente
A vida insiste em dar esse presente
Comece o dia amando mais você

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Onde eu me perdi? No começo, no meio ou no fim? Sinto que me perdi tentando encontrar você.
As vezes, essa segunda pessoa do singular não tem nome. Noutras vezes, o sobrenome fica lindo quando posto junto ao meu. Parece que vivi muito mais do que senti. Voei na direção contrária do senso comum, deixei ser enganada por ele e me traí, me fiz muda.
As borboletas do meu estômago dançam um tango. Colaboram com a inquietude que eu tanto temia.
Na parcialidade de encontrar os prós e os contras meu coração se partiu ao meio, ou quase. Só que de qualquer forma, eu não sei dizer qual é o lado vencedor.
Cheia de medos e preocupações fui ao seu encontro. Sem a menor chance de sobreviver, não sei se dói mais por mim ou por você. Sua presença consigo sentir no umbigo, algo tão interiorizado que arrancar será uma cirurgia complicada que as chances de sucesso não passam de uma lamparina no fim do túnel.
Não tenho a menor intenção de fugir, você sabe.
Fujo de mim mas não de você.
É clichê demais mas o problema não foi você, o problema sempre fui eu. Meti os pés pelas mãos, me virei de cabeça para baixo para te fazer feliz. Deitei, rolei, fingi de morto e esperei o biscoito de recompensa. Que veio, de uma forma totalmente inesperada.
Aí eu me perdi.
Perdi o interesse pelo brinquedo só que antes de qualquer coisa eu tinha perdido o interesse por mim. Por tudo o que fui. Por que mesmo perdi meu orgulho e parei de acreditar que sou capaz de mudar o mundo?!
Eureca!
Nunca fui muito justa comigo mesma entende? Só que nunca tive coragem de mudar as coisas ao meu redor. Ou melhor dizendo, nunca fui capaz de mudar as coisas dentro de mim.
Preciso começar a regar minha própria grama.
Não, eu não sei como fazer isso, não faço a menor ideia! Só que um dia minha mãe me disse que eu poderia fazer qualquer coisa que eu quisesse.
Por que não isso?
O primeiro desafio agora é não deixar de acreditar no meio do caminho.

terça-feira, 10 de abril de 2012

Oswaldo Montenegro tocando pacientemente no meu fone-de-ouvido me ajuda a enxergar claramente com as seguintes frases:
"Que as palavras que eu falo não sejam encaradas como prece e nem repetidas com fervor, apenas respeitadas como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimentos".

"Que essa minha vontade de ir embora se transforme na calma e na paz que eu mereço"

Os dados foram lançados. A roda da vida está girando lentamente como que de propósito para esperar quem aposta mais. A escolha foi feita por nós duas, o grande problema é que nós duas escolhemos por mim.
Você me escolheu por amor e eu me escolhi pela dor. A dor de não ser mais quem eu sou ao seu lado.

Não, por favor, não ache que isso é confortável para mim. O incomodo no fundo dos meus olhos não é só impressão sua.

Desculpa? Prometo que é a última vez que encherei seu coração de angústia.

Ouve, só mais um pouco... Prometo que é rápido! Por favor... Eu juro que nunca foi falta de te fazer sorrir.
Foi falta de jeito, falta de tato mas não, não entenda como se eu estivesse me retirando da luta. Eu iria até o fim! só que, no meio do campo de batalha, apareceu uma ferida que não parava de sangrar e a minha espada jaz ao teu lado.

Perdoa? Não vou mais tomar seu tempo. O meu papel é te deixar partir de um abraço que não existe mais.

"Se o adeus demora, a dor no coração se expande".