Senhoras e senhores, respeitável publico! Sejam bem-vindos...
E hoje ainda gosto de olhar para o mundo sem entender o que meus olhos encontram.
quarta-feira, 30 de junho de 2010
Vontade de verbalizar, e só.
Acordei com uma angústia, que não é passageira. Eu sei. Eu sinto.
É como um germe, uma bactéria, um monstro dentro do meu estômago. Uma falha (ou quase) na minha identidade. Corrói.
Sempre fugi do assunto mas não por medo e sim por achar que as pessoas podem ser tão generosas quanto eu costumo ser. Essa coisa de me doar e não ligar para as feridas que sangram em mim por ter a certeza que quem as causou virá em minha direção com um sorriso nos lábios, o coração na mão para um singelo e verdadeiro pedido de desculpas.
Infelizmente eu cresci e deixei de acreditar que o mundo pode ser do jeito que eu quiser. Descobri ainda, e essa é minha maior dor, que até a relação mais pura e fraternal(teoricamente, claro) é baseada em cifrões e números que me doem.
Só que, no fim das contas quem está mais errado nessa história sou eu, que sou homossexual e o que menos importa pra mim é a quantidade de carros que a pessoa tem mas sim a quantidade de histórias de vida ela tem pra contar.
Entendi que não adianta achar que as leis não vão recompor uma relação que praticamente já não existe e o amor sempre vai prevalecer junto com o respeito e o carinho. Eu esqueço,sempre esqueço, que não depende só de mim.
segunda-feira, 28 de junho de 2010
O instante que não pára.
Se viu do lado de fora do vagão do metrô, só que estava diferente. Bem sucedida. No seu reflexo tinha aproveitado todas as oportunidades que a vida lhe dera.
Estava bonita e como se conhecia bem, seu reflexo estava amando alguém. Quis descer, conversar e saber como era o futuro sem o medo.
Ficou decepcionada com o que seu eu real, era. Era tanta a decepção pelos últimos 10 anos! E via ali, no seu próprio reflexo, tudo o que queria ser.
Trocaram um breve olhar, acenou para o reflexo que retribuiu sem entender.
Olhava a si mesma e as lágrimas começaram a surgir. Toda a culpa que sentia começou a pressionar seu peito. Tudo estava ali! Do lado de fora..
O metrô partiu e naquele instante - O mais importante de sua vida- Percebeu o quanto gostaria que fosse real e não apenas um reflexo.
sábado, 26 de junho de 2010
Apenas Adeus.
Se eu te der adeus hoje,
como será o tão desejado
amanhã?
E se eu não me despedir,
como fica a tão falada
saudade?
sexta-feira, 25 de junho de 2010
Uma homenagem; Uma definição quase imaginária de mim mesma.
Que a força do medo que tenho Não me impeça de ver o que anseio
Que a morte de tudo o que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca
Porque metade de mim é o que eu grito
Mas a outra metade é silêncio.
Que a música que ouço ao longe
Seja linda ainda que tristeza
Que a mulher que eu amo seja pra sempre
amada
Mesmo que distante
Porque metade de mim é partida
Mas a outra metade é saudade.
Que as palavras que eu falo
Não sejam ouvidas como prece e nem repetidas
com fervor
Apenas respeitadas
Como a única coisa que resta a um homem
Inundado de sentimentos
Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo.
Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que eu mereço
Que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada
Porque metade de mim é o que eu penso mas
a outra metade é um vulcão.
Que o medo da solidão se afaste, e que o
convívio comigo mesmo se torne ao menos
suportável.
Que o espelho reflita em meu rosto um doce
sorriso
Que eu me lembre ter dado na infância
Porque metade de mim é a lembrança do que
fui
A outra metade eu não sei.
Que não seja preciso mais do que uma simples
alegria
Pra me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais
Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço.
Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade para fazê-la
florescer
Porque metade de mim é platéia
E a outra metade é canção.
E que minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
Mas a outra metade
Também.
Metade - Oswaldo Montenegro.
Assinar:
Postagens (Atom)


